
Dr. Gustavo Pereira, Médico Anestesista.
Porto, Portugal
O Jejum Intermitente é uma estratégia alimentar que subiu de popularidade nos últimos anos, nomeadamente junto de quem procura emagrecer e melhorar os seus índices de saúde.
Por si só, não é uma dieta nem um método de emagrecimento. Consiste, sim, na diminuição da janela temporal de alimentação, ou seja, na alternância entre períodos de alimentação mais curtos e períodos de jejum mais prolongados, sem que haja necessariamente uma restrição calórica.
Quando o nosso organismo passa cerca de 15-16h sem ingerir qualquer caloria, inicia-se um período de normalização metabólica com a retoma da sensibilidade à insulina, permitindo assim o acesso às nossas reservas de gordura para obtenção de energia. A fome deixa de ser assim uma preocupação constante na nossa mente, levando a outros benefícios como o aumento da hormona do crescimento, a autofagia (limpeza celular), entre outros.
Estamos habituados à recomendação de se fazer 3 refeições diárias principais para controlar a fome, intercaladas com lanches, e, por vezes, a cear antes de deitar. No entanto, este padrão alimentar não está propriamente de acordo com a nossa evolução como espécie, pois nem sempre houve a disponibilidade constante de alimento.
Existem várias abordagens para o Jejum Intermitente adaptadas ao quotidiano e necessidades de cada pessoa: o método mais comum e mais conhecido é o 16/8 – em que se jejua por 16 horas e a janela de alimentação ocorre durante 8 horas, ou seja, comer apenas entre as 8:00 e as 16:00 ou entre as 11:00 e as 19:00. Há quem faça intervalos de 20/4, em que a janela alimentar é de apenas 4 horas, ou até 22/2, seguindo a mesma lógica. Existe ainda quem siga o método 5/2, com base semanal e não diária, em que não se ingere qualquer alimento em 2 dias por semana, consecutivos ou não.

O Jejum Intermitente é um método bastante flexível porque o nosso corpo nem sempre obedece a um ciclo diário constante. Pode-se reagir mais rápida ou tardiamente às diferentes opções alimentares que tomamos no dia-a-dia e ao longo da semana, ao stress, assim como à actividade física. Assim, é possível gerir a quantidade de alimentos ingerida e adaptar a janela alimentar para compensar as necessidades nutricionais. Outra vantagem deste método é que passamos a ser mais conscientes das nossas escolhas alimentares.
